Introdução: A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP) representa um fenótipo complexo da insuficiência cardíaca, caracterizado por disfunção diastólica, inflamação sistêmica e fibrose miocárdica, estando associada a elevada morbimortalidade e limitação funcional. Os antagonistas do receptor de mineralocorticoide (ARM) têm sido amplamente utilizados no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, e evidências recentes sugerem benefícios potenciais também na ICFEP, especialmente na modulação da fibrose e da remodelação cardíaca. Objetivo: Avaliar a eficácia dos antagonistas do receptor de mineralocorticoide no manejo da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, considerando desfechos clínicos, funcionais e laboratoriais. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, utilizando os descritores “heart failure with preserved ejection fraction”, “mineralocorticoid receptor antagonists” e “clinical outcomes”. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais e metanálises publicados nos últimos dez anos, que avaliaram o uso de ARM em pacientes adultos com diagnóstico de ICFEP. Os desfechos analisados incluíram hospitalizações por insuficiência cardíaca, mortalidade cardiovascular, capacidade funcional, parâmetros ecocardiográficos. Resultados: Os estudos analisados demonstraram que o uso de ARM esteve associado à redução das hospitalizações por insuficiência cardíaca e à melhora de parâmetros de função diastólica e remodelamento ventricular. Observou-se benefício mais pronunciado em subgrupos específicos, como pacientes com níveis elevados de peptídeos natriuréticos e maior grau de fibrose miocárdica. Em relação à mortalidade cardiovascular, os resultados mostraram-se heterogêneos. Os principais eventos adversos relatados foram hipercalemia e disfunção renal, exigindo monitorização clínica e laboratorial rigorosa. Conclusão: Os antagonistas do receptor de mineralocorticoide demonstram eficácia moderada no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, especialmente na redução de hospitalizações e na melhora de parâmetros estruturais e funcionais cardíacos. Apesar dos benefícios observados, a seleção criteriosa dos pacientes e a vigilância de eventos adversos são fundamentais para otimizar os resultados clínicos nessa população.
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